Há um homem entre tantos que sobe para o púlpito cúbico que se localiza no centro do jardim que tem o nome de Circular, posto que exibe não só comummente como também constantemente uma adensada configuração circular através da qual se expressa. Esse indivíduo é chamado pelos habitantes do bairro e também pelos do resto do mundo por Homem de Chapéu e, sobre a tribuna discursante inicia o seu discurso, fazendo juntar em seu redor alguma multidão constituída pelas gentes que se espalhavam pelas imediações. Dessa peça oratória faz parte como início, meio e fim, a frase Tal visão deixou cada mente atónita, era um monstro voador tão grande que cobria meio céu sempre que cruzava os ares, tão imenso que enegrecia a mais brilhante luz solar. Devo dizer que não presenciei tamanha ocorrência e tudo o que ouviram chegou-me por terceiros.
Então mas de quem ouviste essa história? pergunta a Mulher do Casaco Azul.
Por certo de algum velho marinheiro, desses que vê monstros marinhos e demais criaturas. Rio-me perante tais factos! afirma o Homem com Bengala.
Permites que te acompanhe no riso? coloca em pergunta a Mulher de Avental.
Com certeza! Riamos sem mais demoras! é a decisão do Homem com Bengala.
Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! riem o Homem com Bengala e a Mulher de Avental.
Substituo o velho marinheiro por velho pioneiros dos ares, desses que voou nos primeiros aviões e voltou dizendo que viu monstros aéreos e demais criaturas. Permitam que a vós me junte no riso, é o pedido do Homem Muito Alto que faz o Homem com Bengala responder Não te autorizo a rires connosco. E não te autorizo porque nada soube desses pioneiros que referes. Fala-me sobre eles e, se me convenceres, rirás connosco.
E humildemente o Homem Muito Alto diz Preenchendo as minhas palavras com a mais nobre das verdades, afirmo que, tal como tu, nada soube desses pioneiros. Apenas o disse para me a vós juntar no riso.
Nesse caso, connosco não rirás, é a decisão do Homem com Bengala, fazendo avançar a Mulher com Cesto que se faz ouvir com Mas eu rio contigo, que falaste sobre os pioneiros aéreos. Insultado, o Homem Muito Alto reage dizendo Não, contigo não rirei! Não consinto que o faças comigo! Eu quero rir com o Homem com Bengala ou com a Mulher de Avental! dizendo a Mulher de Avental Eu rio contigo, mas que fique esclarecido que só o faço para terminar esta desavença. E os dois juntam-se para uma gargalhada Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!
O Homem com Bengala retira-se deste cenário. Em redor do Homem de Chapéu mantêm-se a Mulher do Casaco Azul, a Mulher de Avental, o Homem Muito Alto e a Mulher com Cesto. O Homem com Bengala segue o seu caminho, deve ir para casa. Ele entra na rua onde mora e na casa onde mora, é um pequeno apartamento num segundo andar. Parece esperar alguém. Alguém bate à porta. O Homem com Bengala abre-a e alegra-se quando vê um inocente menino. É o Menino da Tabuada que entra e a porta é fechada. O Menino da Tabuada pára diante do Homem com Bengala e diz afirmativamente Um vezes um um, um vezes dois dois, um vezes três três, um vezes quatro quatro, um vezes cinco cinco, um vezes seis seis, um vezes sete sete, um vezes oito oito, um vezes nove nove, um vezes dez dez, dois vezes um dois, dois vezes dois quatro, dois vezes três seis, dois vezes quatro oito, dois vezes cinco dez, dois vezes seis dozes, dois vezes sete catorze, dois vezes oito dezasseis, dois vezes nove dezoito, dois vezes dez vinte, três vezes um três, três vezes dois seis, três vezes três nove, três vezes quatro doze, três vezes cinco quinze, três vezes seis dezoito, três vezes sete vinte e um, três vezes oito vinte e quatro, três vezes nove vinte e sete, três vezes dez trinta, quatro vezes um quatro, quatro vezes dois oito, quatro vezes três doze, quatro vezes quatro dezasseis, quatro vezes cinco vinte, quatro vezes seis vinte e quatro, quatro vezes sete vinte e oito, quatro vezes oito trinta e dois, quatro vezes nove trinta e seis, quatro vezes dez quarenta, cinco vezes um cinco, cinco vezes dois dez, cinco vezes três quinze, cinco vezes quatro vinte, cinco vezes cinco vinte e cinco, cinco vezes seis trinta, cinco vezes sete trinta e cinco, cinco vezes oito quarenta, cinco vezes nove, quarenta e cinco, cinco vezes dez cinquenta, seis vezes um seis, seis vezes dois doze, seis vezes três dezoito, seis vezes quatro vinte e quatro, seis vezes cinco trinta, seis vezes seis trinta e seis, seis vezes sete quarenta e dois, seis vezes oito quarenta e oito, seis vezes nove cinquenta e quatro, seis vezes dez sessenta, sete vezes um sete, sete vezes dois catorze, sete vezes três vinte e um, sete vezes quatro vinte e oito, sete vezes cinco trinta e cinco, sete vezes seis quarenta e dois, sete vezes sete quarenta e nove, sete vezes oito cinquenta e seis, sete vezes nove sessenta e três, sete vezes dez setenta, oito vezes um oito, oito vezes dois dezasseis, oito vezes três vinte e quatro, oito vezes quatro trinta e dois, oito vezes cinco quarenta, oito vezes seis quarenta e oito, oito vezes sete cinquenta e seis, oito vezes oito sessenta e quatro, oito vezes nove setenta e dois, oito vezes dez oitenta, nove vezes um nove, nove vezes dois dezoito, nove vezes três vinte e sete, nove vezes quatro trinta e seis, nove vezes cinco quarenta e cinco, nove vezes seis cinquenta e quatro, nove vezes sete sessenta e três, nove vezes oito setenta e dois, nove vezes nove oitenta e um, nove vezes dez noventa, dez vezes um dez, dez vezes dois vinte, dez vezes três trinta, dez vezes quatro quarenta, dez vezes cinco cinquenta, dez vezes seis sessenta, dez vez sete setenta, dez vezes oito oitenta, dez vezes nove noventa, dez vezes dez cem.
Em situação de felicidade o Homem com Bengala diz Muito bem! Está correcto! A partir deste momento passas a deter o Saber da Tabuada! Receberás um diploma e, em breve, serás eleito “Ditador da Tabuada” e serás a autoridade da Tabuada aqui na região. Serás a única pessoa que possuirá o Saber da Tabuada.
O Menino da Tabuada sai correndo e gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! Eu sou o detentor da tabuada! As pessoas acorrem a esta algazarra e aplaudem felicitando-o. Grita-se Hurra! Hurra! ou Viva o Menino da Tabuada! As palmas batem clap clap clap clap, os sinos tocam blein blein blein blein, os foguetes rebentam bum cabum pam pam pam bun-unn cabum! E lá vai o Menino da Tabuada. Todo ele brilha correndo até casa na qual entra pela porta e logo que se encontra no seu interior diz gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! O Menino da Tabuada sai correndo e corre veloz até ao púlpito cúbico do Jardim Circular. O Homem de Chapéu terminou agora mesmo o seu discurso. Como ele falou e falou e falou e falou. Falou e falou. Gastou as palavras de tanto falar. Agora o púlpito vagou e sobre ele apenas existe o peso da atmosfera porque ninguém o ocupa nem mesmo o Menino da Tabuada mas esse ainda não está autorizado porque não recebeu o diploma nem foi eleito Ditador da Tabuada apesar de, por certo, o povo já o saber (certeza, aliás, claramente visível pela celebração festiva que lhe entregaram depois de sair da casa do Homem com Bengala). O Menino da Tabuada torna-se uma personagem importante da vila tal como o são o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul, apesar de esta última ser uma pessoa bastante calada ao contrário do Homem Muito Alto que sofre de falta de estima por parte dos outros habitantes havendo quem a este respeito diga que é por ser muito alto, ou seja, por ficar claramente acima de todos, mas eu pessoalmente não o creio, creio pois isso sim que a sua altura ou o facto de ser muito alto nada ter a ver com a sua importância na vila. Se tivéssemos de fazer um triângulo de poder este giraria entre o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul e destes três cada um tem a sua especialidade sendo elas o dom da palavra para o Homem de Chapéu, o dom do ensino para o Homem com Bengala e o dom da maternidade para a Mulher do Casaco Azul. Ora claro está que a Mulher do Casaco Azul não é mãe de todos os habitantes desta vila cujo nome é Vila do Canto do Músico e tem este nome, julga-se que assim seja, porque em tempos que já lá vão e que se perdem na noite da História houve, diz-se, um músico que encontrou um canto que era só dele e que dedicou à sua amada que neste lugarejo habitava, tanto que também em tempos que já lá vão, pelo menos assim se diz, a vila obteve o nome de Vila Amada, mas foi nome de pouca dura, muita gente não gostava, uns por uma razão e outros por outra passando então para Vila do Canto do Músico.
De seguida repetirei o parágrafo que para trás ficou, mas agora di-lo-ei mais rapidamente:
O Menino da Tabuada sai correndo e gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! Eu sou o detentor da tabuada! As pessoas acorrem a esta algazarra e aplaudem felicitando-o. Grita-se Hurra! Hurra! ou Viva o Menino da Tabuada! As palmas batem clap clap clap clap, os sinos tocam blein blein blein blein, os foguetes rebentam bum cabum pam pam pam bun-unn cabum! E lá vai o Menino da Tabuada. Todo ele brilha correndo até casa na qual entra pela porta e logo que se encontra no seu interior diz gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! O Menino da Tabuada sai correndo e corre veloz até ao púlpito cúbico do Jardim Circular. O Homem de Chapéu terminou agora mesmo o seu discurso. Como ele falou e falou e falou e falou. Falou e falou. Gastou as palavras de tanto falar. Agora o púlpito vagou e sobre ele apenas existe o peso da atmosfera porque ninguém o ocupa nem mesmo o Menino da Tabuada mas esse ainda não está autorizado porque não recebeu o diploma nem foi eleito Ditador da Tabuada apesar de, por certo, o povo já o saber (certeza, aliás, claramente visível pela celebração festiva que lhe entregaram depois de sair da casa do Homem com Bengala). O Menino da Tabuada torna-se uma personagem importante da vila tal como o são o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul, apesar de esta última ser uma pessoa bastante calada ao contrário do Homem Muito Alto que sofre de falta de estima por parte dos outros habitantes havendo quem a este respeito diga que é por ser muito alto, ou seja, por ficar claramente acima de todos, mas eu pessoalmente não o creio, creio pois isso sim que a sua altura ou o facto de ser muito alto nada ter a ver com a sua importância na vila. Se tivéssemos de fazer um triângulo de poder este giraria entre o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul e destes três cada um tem a sua especialidade sendo elas o dom da palavra para o Homem de Chapéu, o dom do ensino para o Homem com Bengala e o dom da maternidade para a Mulher do Casaco Azul. Ora claro está que a Mulher do Casaco Azul não é mãe de todos os habitantes desta vila cujo nome é Vila do Canto do Músico e tem este nome, julga-se que assim seja, porque em tempos que já lá vão e que se perdem na noite da História houve, diz-se, um músico que encontrou um canto que era só dele e que dedicou à sua amada que neste lugarejo habitava, tanto que também em tempos que já lá vão, pelo menos assim se diz, a vila obteve o nome de Vila Amada, mas foi nome de pouca dura, muita gente não gostava, uns por uma razão e outros por outra passando então para Vila do Canto do Músico.
E agora o mais rapidamente possível, tão rápido que as palavras saltem da boca antes de serem ditas:
O Menino da Tabuada sai correndo e gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! Eu sou o detentor da tabuada! As pessoas acorrem a esta algazarra e aplaudem felicitando-o. Grita-se Hurra! Hurra! ou Viva o Menino da Tabuada! As palmas batem clap clap clap clap, os sinos tocam blein blein blein blein, os foguetes rebentam bum cabum pam pam pam bun-unn cabum! E lá vai o Menino da Tabuada. Todo ele brilha correndo até casa na qual entra pela porta e logo que se encontra no seu interior diz gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! O Menino da Tabuada sai correndo e corre veloz até ao púlpito cúbico do Jardim Circular. O Homem de Chapéu terminou agora mesmo o seu discurso. Como ele falou e falou e falou e falou. Falou e falou. Gastou as palavras de tanto falar. Agora o púlpito vagou e sobre ele apenas existe o peso da atmosfera porque ninguém o ocupa nem mesmo o Menino da Tabuada mas esse ainda não está autorizado porque não recebeu o diploma nem foi eleito Ditador da Tabuada apesar de, por certo, o povo já o saber (certeza, aliás, claramente visível pela celebração festiva que lhe entregaram depois de sair da casa do Homem com Bengala). O Menino da Tabuada torna-se uma personagem importante da vila tal como o são o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul, apesar de esta última ser uma pessoa bastante calada ao contrário do Homem Muito Alto que sofre de falta de estima por parte dos outros habitantes havendo quem a este respeito diga que é por ser muito alto, ou seja, por ficar claramente acima de todos, mas eu pessoalmente não o creio, creio pois isso sim que a sua altura ou o facto de ser muito alto nada ter a ver com a sua importância na vila. Se tivéssemos de fazer um triângulo de poder este giraria entre o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul e destes três cada um tem a sua especialidade sendo elas o dom da palavra para o Homem de Chapéu, o dom do ensino para o Homem com Bengala e o dom da maternidade para a Mulher do Casaco Azul. Ora claro está que a Mulher do Casaco Azul não é mãe de todos os habitantes desta vila cujo nome é Vila do Canto do Músico e tem este nome, julga-se que assim seja, porque em tempos que já lá vão e que se perdem na noite da História houve, diz-se, um músico que encontrou um canto que era só dele e que dedicou à sua amada que neste lugarejo habitava, tanto que também em tempos que já lá vão, pelo menos assim se diz, a vila obteve o nome de Vila Amada, mas foi nome de pouca dura, muita gente não gostava, uns por uma razão e outros por outra passando então para Vila do Canto do Músico.
Mas o Menino da Tabuada ganha coragem e, mesmo sem estar autorizado, sobe para o púlpito deixando a multidão em delírio com tamanho acto de bravura. Em uníssono o Homem de Chapéu, a Mulher do Casaco Azul, a Mulher de Avental, a Mulher com Cesto e o Homem Muito Alto gritam Viva o Menino da Tabuada! Viva o nosso Ditador! E do alto do púlpito o Menino da Tabuada agradece. Como não é normal aquele que adquire o Saber da Tabuada subir para o púlpito antes de, oficialmente, ser eleito Ditador da Tabuada, as pessoas não sabem como reagir: não sabem se devem esperar um discurso do eleito, não sabem se o devem interrogar, não sabem se apenas o devem aplaudir... Enfim, não sabem. E gera-se um burburinho entre a multidão: O que fazemos? pergunta-se. E todos olham com expressões apalermadas para o Menino da Tabuada que, do púlpito, conta a quantidade de folhas que uma árvore das proximidades contém.
O Homem Muito Alto é o primeiro a interromper a expressão apalermada e vira-se para o menino dizendo Peço-lhe desculpa por obrigá-lo a interromper a contagem, Senhor Ditador, mas ocorreu-me uma pergunta à qual não consigo obter resposta. Permite Vossa Excelência que lhe dirija a pergunta?
Permito não só a ti como a todos. Deixa que a tua boca se transforme na pergunta, ordena o Menino da Tabuada.
Oito vezes quatro? pergunta o Homem Muito Alto. Trinta e dois, responde o Menino da Tabuada. E faz-se silêncio. Entre a assistência. Aquele que sabe a tabuada deixa todos estupefactos perante tão grandiosa sabedoria, prontidão e rapidez de resposta. Agora alguém sabe a tabuada e os barcos zarpam em direcção ao mar enquanto a multidão em delírio grita a plenos pulmões Bons ventos! Bons ventos! não que a existência de ventos (favoráveis ou não) seja um factor a ter em conta já que os barcos, todos eles, são movidos com o auxílio de hélices propulsoras que os empurram mar adentro. Justifica-se gritar Bons ventos! pela razão que gritar Boas hélices! soa de modo diverso e, além disso, esta última hipótese terá de estar subjacente a vários factores, tais como, antes de se gritar Boas hélices! dever-se-ia gritar Bom motor! (que é o causador do movimento das hélices) e antes de se gritar Bom motor! dever-se-ia gritar Construção correcta do motor! (já que este foi idealizado e/ou construído por homens ou por um computador). E poder-se-ia continuar a gritar por alguma coisa, mas foi pedido pelo responsável da área portuária que se devesse manter silêncio tendo em vista a profunda sapiência do Menino da Tabuada.
Então mas de quem ouviste essa história? pergunta a Mulher do Casaco Azul.
Por certo de algum velho marinheiro, desses que vê monstros marinhos e demais criaturas. Rio-me perante tais factos! afirma o Homem com Bengala.
Permites que te acompanhe no riso? coloca em pergunta a Mulher de Avental.
Com certeza! Riamos sem mais demoras! é a decisão do Homem com Bengala.
Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! riem o Homem com Bengala e a Mulher de Avental.
Substituo o velho marinheiro por velho pioneiros dos ares, desses que voou nos primeiros aviões e voltou dizendo que viu monstros aéreos e demais criaturas. Permitam que a vós me junte no riso, é o pedido do Homem Muito Alto que faz o Homem com Bengala responder Não te autorizo a rires connosco. E não te autorizo porque nada soube desses pioneiros que referes. Fala-me sobre eles e, se me convenceres, rirás connosco.
E humildemente o Homem Muito Alto diz Preenchendo as minhas palavras com a mais nobre das verdades, afirmo que, tal como tu, nada soube desses pioneiros. Apenas o disse para me a vós juntar no riso.
Nesse caso, connosco não rirás, é a decisão do Homem com Bengala, fazendo avançar a Mulher com Cesto que se faz ouvir com Mas eu rio contigo, que falaste sobre os pioneiros aéreos. Insultado, o Homem Muito Alto reage dizendo Não, contigo não rirei! Não consinto que o faças comigo! Eu quero rir com o Homem com Bengala ou com a Mulher de Avental! dizendo a Mulher de Avental Eu rio contigo, mas que fique esclarecido que só o faço para terminar esta desavença. E os dois juntam-se para uma gargalhada Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!
O Homem com Bengala retira-se deste cenário. Em redor do Homem de Chapéu mantêm-se a Mulher do Casaco Azul, a Mulher de Avental, o Homem Muito Alto e a Mulher com Cesto. O Homem com Bengala segue o seu caminho, deve ir para casa. Ele entra na rua onde mora e na casa onde mora, é um pequeno apartamento num segundo andar. Parece esperar alguém. Alguém bate à porta. O Homem com Bengala abre-a e alegra-se quando vê um inocente menino. É o Menino da Tabuada que entra e a porta é fechada. O Menino da Tabuada pára diante do Homem com Bengala e diz afirmativamente Um vezes um um, um vezes dois dois, um vezes três três, um vezes quatro quatro, um vezes cinco cinco, um vezes seis seis, um vezes sete sete, um vezes oito oito, um vezes nove nove, um vezes dez dez, dois vezes um dois, dois vezes dois quatro, dois vezes três seis, dois vezes quatro oito, dois vezes cinco dez, dois vezes seis dozes, dois vezes sete catorze, dois vezes oito dezasseis, dois vezes nove dezoito, dois vezes dez vinte, três vezes um três, três vezes dois seis, três vezes três nove, três vezes quatro doze, três vezes cinco quinze, três vezes seis dezoito, três vezes sete vinte e um, três vezes oito vinte e quatro, três vezes nove vinte e sete, três vezes dez trinta, quatro vezes um quatro, quatro vezes dois oito, quatro vezes três doze, quatro vezes quatro dezasseis, quatro vezes cinco vinte, quatro vezes seis vinte e quatro, quatro vezes sete vinte e oito, quatro vezes oito trinta e dois, quatro vezes nove trinta e seis, quatro vezes dez quarenta, cinco vezes um cinco, cinco vezes dois dez, cinco vezes três quinze, cinco vezes quatro vinte, cinco vezes cinco vinte e cinco, cinco vezes seis trinta, cinco vezes sete trinta e cinco, cinco vezes oito quarenta, cinco vezes nove, quarenta e cinco, cinco vezes dez cinquenta, seis vezes um seis, seis vezes dois doze, seis vezes três dezoito, seis vezes quatro vinte e quatro, seis vezes cinco trinta, seis vezes seis trinta e seis, seis vezes sete quarenta e dois, seis vezes oito quarenta e oito, seis vezes nove cinquenta e quatro, seis vezes dez sessenta, sete vezes um sete, sete vezes dois catorze, sete vezes três vinte e um, sete vezes quatro vinte e oito, sete vezes cinco trinta e cinco, sete vezes seis quarenta e dois, sete vezes sete quarenta e nove, sete vezes oito cinquenta e seis, sete vezes nove sessenta e três, sete vezes dez setenta, oito vezes um oito, oito vezes dois dezasseis, oito vezes três vinte e quatro, oito vezes quatro trinta e dois, oito vezes cinco quarenta, oito vezes seis quarenta e oito, oito vezes sete cinquenta e seis, oito vezes oito sessenta e quatro, oito vezes nove setenta e dois, oito vezes dez oitenta, nove vezes um nove, nove vezes dois dezoito, nove vezes três vinte e sete, nove vezes quatro trinta e seis, nove vezes cinco quarenta e cinco, nove vezes seis cinquenta e quatro, nove vezes sete sessenta e três, nove vezes oito setenta e dois, nove vezes nove oitenta e um, nove vezes dez noventa, dez vezes um dez, dez vezes dois vinte, dez vezes três trinta, dez vezes quatro quarenta, dez vezes cinco cinquenta, dez vezes seis sessenta, dez vez sete setenta, dez vezes oito oitenta, dez vezes nove noventa, dez vezes dez cem.
Em situação de felicidade o Homem com Bengala diz Muito bem! Está correcto! A partir deste momento passas a deter o Saber da Tabuada! Receberás um diploma e, em breve, serás eleito “Ditador da Tabuada” e serás a autoridade da Tabuada aqui na região. Serás a única pessoa que possuirá o Saber da Tabuada.
O Menino da Tabuada sai correndo e gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! Eu sou o detentor da tabuada! As pessoas acorrem a esta algazarra e aplaudem felicitando-o. Grita-se Hurra! Hurra! ou Viva o Menino da Tabuada! As palmas batem clap clap clap clap, os sinos tocam blein blein blein blein, os foguetes rebentam bum cabum pam pam pam bun-unn cabum! E lá vai o Menino da Tabuada. Todo ele brilha correndo até casa na qual entra pela porta e logo que se encontra no seu interior diz gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! O Menino da Tabuada sai correndo e corre veloz até ao púlpito cúbico do Jardim Circular. O Homem de Chapéu terminou agora mesmo o seu discurso. Como ele falou e falou e falou e falou. Falou e falou. Gastou as palavras de tanto falar. Agora o púlpito vagou e sobre ele apenas existe o peso da atmosfera porque ninguém o ocupa nem mesmo o Menino da Tabuada mas esse ainda não está autorizado porque não recebeu o diploma nem foi eleito Ditador da Tabuada apesar de, por certo, o povo já o saber (certeza, aliás, claramente visível pela celebração festiva que lhe entregaram depois de sair da casa do Homem com Bengala). O Menino da Tabuada torna-se uma personagem importante da vila tal como o são o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul, apesar de esta última ser uma pessoa bastante calada ao contrário do Homem Muito Alto que sofre de falta de estima por parte dos outros habitantes havendo quem a este respeito diga que é por ser muito alto, ou seja, por ficar claramente acima de todos, mas eu pessoalmente não o creio, creio pois isso sim que a sua altura ou o facto de ser muito alto nada ter a ver com a sua importância na vila. Se tivéssemos de fazer um triângulo de poder este giraria entre o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul e destes três cada um tem a sua especialidade sendo elas o dom da palavra para o Homem de Chapéu, o dom do ensino para o Homem com Bengala e o dom da maternidade para a Mulher do Casaco Azul. Ora claro está que a Mulher do Casaco Azul não é mãe de todos os habitantes desta vila cujo nome é Vila do Canto do Músico e tem este nome, julga-se que assim seja, porque em tempos que já lá vão e que se perdem na noite da História houve, diz-se, um músico que encontrou um canto que era só dele e que dedicou à sua amada que neste lugarejo habitava, tanto que também em tempos que já lá vão, pelo menos assim se diz, a vila obteve o nome de Vila Amada, mas foi nome de pouca dura, muita gente não gostava, uns por uma razão e outros por outra passando então para Vila do Canto do Músico.
De seguida repetirei o parágrafo que para trás ficou, mas agora di-lo-ei mais rapidamente:
O Menino da Tabuada sai correndo e gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! Eu sou o detentor da tabuada! As pessoas acorrem a esta algazarra e aplaudem felicitando-o. Grita-se Hurra! Hurra! ou Viva o Menino da Tabuada! As palmas batem clap clap clap clap, os sinos tocam blein blein blein blein, os foguetes rebentam bum cabum pam pam pam bun-unn cabum! E lá vai o Menino da Tabuada. Todo ele brilha correndo até casa na qual entra pela porta e logo que se encontra no seu interior diz gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! O Menino da Tabuada sai correndo e corre veloz até ao púlpito cúbico do Jardim Circular. O Homem de Chapéu terminou agora mesmo o seu discurso. Como ele falou e falou e falou e falou. Falou e falou. Gastou as palavras de tanto falar. Agora o púlpito vagou e sobre ele apenas existe o peso da atmosfera porque ninguém o ocupa nem mesmo o Menino da Tabuada mas esse ainda não está autorizado porque não recebeu o diploma nem foi eleito Ditador da Tabuada apesar de, por certo, o povo já o saber (certeza, aliás, claramente visível pela celebração festiva que lhe entregaram depois de sair da casa do Homem com Bengala). O Menino da Tabuada torna-se uma personagem importante da vila tal como o são o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul, apesar de esta última ser uma pessoa bastante calada ao contrário do Homem Muito Alto que sofre de falta de estima por parte dos outros habitantes havendo quem a este respeito diga que é por ser muito alto, ou seja, por ficar claramente acima de todos, mas eu pessoalmente não o creio, creio pois isso sim que a sua altura ou o facto de ser muito alto nada ter a ver com a sua importância na vila. Se tivéssemos de fazer um triângulo de poder este giraria entre o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul e destes três cada um tem a sua especialidade sendo elas o dom da palavra para o Homem de Chapéu, o dom do ensino para o Homem com Bengala e o dom da maternidade para a Mulher do Casaco Azul. Ora claro está que a Mulher do Casaco Azul não é mãe de todos os habitantes desta vila cujo nome é Vila do Canto do Músico e tem este nome, julga-se que assim seja, porque em tempos que já lá vão e que se perdem na noite da História houve, diz-se, um músico que encontrou um canto que era só dele e que dedicou à sua amada que neste lugarejo habitava, tanto que também em tempos que já lá vão, pelo menos assim se diz, a vila obteve o nome de Vila Amada, mas foi nome de pouca dura, muita gente não gostava, uns por uma razão e outros por outra passando então para Vila do Canto do Músico.
E agora o mais rapidamente possível, tão rápido que as palavras saltem da boca antes de serem ditas:
O Menino da Tabuada sai correndo e gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! Eu sou o detentor da tabuada! As pessoas acorrem a esta algazarra e aplaudem felicitando-o. Grita-se Hurra! Hurra! ou Viva o Menino da Tabuada! As palmas batem clap clap clap clap, os sinos tocam blein blein blein blein, os foguetes rebentam bum cabum pam pam pam bun-unn cabum! E lá vai o Menino da Tabuada. Todo ele brilha correndo até casa na qual entra pela porta e logo que se encontra no seu interior diz gritando Eu sei a tabuada! Eu sei a tabuada! O Menino da Tabuada sai correndo e corre veloz até ao púlpito cúbico do Jardim Circular. O Homem de Chapéu terminou agora mesmo o seu discurso. Como ele falou e falou e falou e falou. Falou e falou. Gastou as palavras de tanto falar. Agora o púlpito vagou e sobre ele apenas existe o peso da atmosfera porque ninguém o ocupa nem mesmo o Menino da Tabuada mas esse ainda não está autorizado porque não recebeu o diploma nem foi eleito Ditador da Tabuada apesar de, por certo, o povo já o saber (certeza, aliás, claramente visível pela celebração festiva que lhe entregaram depois de sair da casa do Homem com Bengala). O Menino da Tabuada torna-se uma personagem importante da vila tal como o são o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul, apesar de esta última ser uma pessoa bastante calada ao contrário do Homem Muito Alto que sofre de falta de estima por parte dos outros habitantes havendo quem a este respeito diga que é por ser muito alto, ou seja, por ficar claramente acima de todos, mas eu pessoalmente não o creio, creio pois isso sim que a sua altura ou o facto de ser muito alto nada ter a ver com a sua importância na vila. Se tivéssemos de fazer um triângulo de poder este giraria entre o Homem de Chapéu, o Homem com Bengala e a Mulher do Casaco Azul e destes três cada um tem a sua especialidade sendo elas o dom da palavra para o Homem de Chapéu, o dom do ensino para o Homem com Bengala e o dom da maternidade para a Mulher do Casaco Azul. Ora claro está que a Mulher do Casaco Azul não é mãe de todos os habitantes desta vila cujo nome é Vila do Canto do Músico e tem este nome, julga-se que assim seja, porque em tempos que já lá vão e que se perdem na noite da História houve, diz-se, um músico que encontrou um canto que era só dele e que dedicou à sua amada que neste lugarejo habitava, tanto que também em tempos que já lá vão, pelo menos assim se diz, a vila obteve o nome de Vila Amada, mas foi nome de pouca dura, muita gente não gostava, uns por uma razão e outros por outra passando então para Vila do Canto do Músico.
Mas o Menino da Tabuada ganha coragem e, mesmo sem estar autorizado, sobe para o púlpito deixando a multidão em delírio com tamanho acto de bravura. Em uníssono o Homem de Chapéu, a Mulher do Casaco Azul, a Mulher de Avental, a Mulher com Cesto e o Homem Muito Alto gritam Viva o Menino da Tabuada! Viva o nosso Ditador! E do alto do púlpito o Menino da Tabuada agradece. Como não é normal aquele que adquire o Saber da Tabuada subir para o púlpito antes de, oficialmente, ser eleito Ditador da Tabuada, as pessoas não sabem como reagir: não sabem se devem esperar um discurso do eleito, não sabem se o devem interrogar, não sabem se apenas o devem aplaudir... Enfim, não sabem. E gera-se um burburinho entre a multidão: O que fazemos? pergunta-se. E todos olham com expressões apalermadas para o Menino da Tabuada que, do púlpito, conta a quantidade de folhas que uma árvore das proximidades contém.
O Homem Muito Alto é o primeiro a interromper a expressão apalermada e vira-se para o menino dizendo Peço-lhe desculpa por obrigá-lo a interromper a contagem, Senhor Ditador, mas ocorreu-me uma pergunta à qual não consigo obter resposta. Permite Vossa Excelência que lhe dirija a pergunta?
Permito não só a ti como a todos. Deixa que a tua boca se transforme na pergunta, ordena o Menino da Tabuada.
Oito vezes quatro? pergunta o Homem Muito Alto. Trinta e dois, responde o Menino da Tabuada. E faz-se silêncio. Entre a assistência. Aquele que sabe a tabuada deixa todos estupefactos perante tão grandiosa sabedoria, prontidão e rapidez de resposta. Agora alguém sabe a tabuada e os barcos zarpam em direcção ao mar enquanto a multidão em delírio grita a plenos pulmões Bons ventos! Bons ventos! não que a existência de ventos (favoráveis ou não) seja um factor a ter em conta já que os barcos, todos eles, são movidos com o auxílio de hélices propulsoras que os empurram mar adentro. Justifica-se gritar Bons ventos! pela razão que gritar Boas hélices! soa de modo diverso e, além disso, esta última hipótese terá de estar subjacente a vários factores, tais como, antes de se gritar Boas hélices! dever-se-ia gritar Bom motor! (que é o causador do movimento das hélices) e antes de se gritar Bom motor! dever-se-ia gritar Construção correcta do motor! (já que este foi idealizado e/ou construído por homens ou por um computador). E poder-se-ia continuar a gritar por alguma coisa, mas foi pedido pelo responsável da área portuária que se devesse manter silêncio tendo em vista a profunda sapiência do Menino da Tabuada.
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