21/03/09

A Doninha Nadinha

Entra entra que faz n diz a Doninha Nadinha de volta do halo Herkúleo Fáktor

Esta é a história da Doninha Nadinha que quando nasceu era tão pequena que até o seu cheiro nauseabundo de náusea cobria um espaço maior do que ela, grande o suficiente para afugentar, manter afastado e oprimir qualquer visita chegada ao local do nascimento, motivo mais do que suficiente para manter todo e qualquer ser vivo a coberto da maior distância possível, mantendo a Doninha Nadinha isolada até dos próprios progenitores que se viram forçados a abandoná-la logo que nasceu e tudo isto por causa da náusea pútrida que emanava do seu corpo de doninha.

Ceifada que estava de nascença e de semblante chacinado pelo cheiro emanado, Doninha Nadinha aprendeu desde muito nova a questionar-se sobre o mundo e, por via da sua infelicidade odorífica, procurou por si explicações e respostas às questões que levantava. De início tomava-se de coragem forçada e enriquecida e, completa de vontades, empreendia a moléstia sentida pelo seu pai ou pela sua mãe incomodando os canais olfactivos de ambos num objectivo de saciar a curiosidade indagadora de que Nadinha padece desde que se tornou ser vivente. Mas tendo como princípio de vida a colocação distante da sua cria, Doninha Pai e Doninha Mãe afugentavam-se a si próprios tão cedo quanto as suas narinas fossem vergastadas pela primeiríssima molécula odorífera das generosamente distribuídas e compartilhadas por Doninha Nadinha. Ao perceber este corriqueiro e habitual de hábito frequente modo de desconcilio de proximidade da cria por parte dos pais, Nadinha iniciou-se numa empreendização de se escutar a si própria enquanto dialogava solitariamente deixando a sua voz ser a pergunta e a sua voz ser a resposta, mencionando perguntas e levantando questões acerca das quais a sua voz respondia ao apelo feito pela sua pergunta. E assim Doninha Nadinha principiou-se na demanda de descobrir por sua conta os segredos do mundo habitável.

De instintos paternais e maternais, Doninha Pai e Doninha Mãe usurparam-se para uma casa vizinha, deixando a ainda recém-nascida Nadinha vivendo isolada na casa do lado por forma a que o seu cheiro não se lhes acercasse e se lhes entranhasse de forma tão violenta pelos corpos de ambos. Mas apesar da separação residencial e das paredes que havia de permeio, nada fazia conter o cheiro de enjoo pútrido soltado por Nadinha. De esforços violentos, Doninha Pai e Doninha Mãe seguraram estoicamente as suas presenças na casa para onde se mudaram após o nascimento objectivando os cuidados necessários a um recém-nascido e a um pós-recém-nascido, mas tal presença não foi conseguida por muito tempo pois por pouco tempo foram os cuidados prestados, após os quais Doninha Pai e Doninha Mãe sucumbiram à necessidade de se ausentar para o mais longe possível do repulsivo aroma, sendo este também o culpado pela fuga apressada de todos os habitantes morantes na localidade onde Nadinha habitava. As povoações mais próximas foram também alvo de expulsão voluntária dos seus habitantes, ficando, portanto, Doninha Nadinha a única moradora num raio de muitos quilómetros.

Eis de chegada a hora destinada a Doninha Nadinha se dar por ausentada de sua casa onde, abrigada, foi excluída para crescer até se dar por tornada pós-recém-nascida, altura propícia para que os progenitores deixassem a despensa e restante armaria repleta de mantimentos e víveres no geral, juntamente com um manual explicativo no qual Nadinha tomou conhecimento das variadas formas de preencher os vazios do estômago recorrendo aos elementos armazenados pelos pais para esse efeito, já a pensar planeadamente no momento de dar Nadinha por abandonada. Cedo Nadinha percebeu de certezas asseguradas que se encontrava sozinha e solitária numa área geográfica abrangente da totalidade de terreno que circundava a sua casa. Levada através de fecundação indagadora iniciou-se na sua demanda por saberes conhecidos e dos outros que cobrem as terras do mundo habitável.

Saída de casa pela porta que faz a comunicação entre o exterior e o interior do lar e local de evolução espacial para quem deseje passar do espaço externo para o interno e vice-versa, tomando um apontamento que “versa-vice” significa evoluir do espaço interior para o do exterior, Nadinha faz uso da medida intitulada “passos” para se fazer movimentar no mundo em que se acha solitária, mundo esse alvo de pesquisas aprofundadas destinadas a satisfazer as curiosidades de Doninha Nadinha.

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