Braquiberta tem nome de dinossauro e Aloberto é seu filho. De lá de casa, o mais extrovertido é Bracoberto, fonte de fala corrente e, muitas vezes, sem significado. Este último é tio de Estegoberto, irmão de Aloberto que, por sua vez, é filho de Grogoberto. Para ser correcto, Bracoberto não tem residência lá em casa, pois divide um pequeno espaço no exterior da casa de Braquiberta com os seus irmãos Hadroberto e Acrocanteberta.
Logo pela manhã o mais cedo possível, Bracoberto bate furiosamente à porta de casa de Braquiberta pedindo para o deixar entrar. Todo ele se transforma em pancadas na porta de madeira estremecendo tudo quanto é para estremecer e todas as manhãs Braquiberta grita lá de dentro Hoje não! mas de nada vale esse Hoje não! porque Bracoberto é de ideias fixas e se ninguém houver que lhe abra a porta deixando-o entrar naquele que não é o seu lar, nada lhe custa aguardar o dia inteiro e até a noite para que o deixem penetrar mantendo sempre as pancadas fortes na madeira da porta e isto até já aconteceu um dia que o deixaram plantado do lado de fora e durante todo o dia foi uma constante bordoada naquela que não é a sua porta com um barulho que se tornou insuportável. E de nada adianta Hadroberto e Acrocanteberta evitarem que o seu irmão agrida violentamente a porta de Braquiberta pois nada o demove da sua missão diária. Todas as manhãs ele assume-se como o batedor oficial da porta de Braquiberta enquanto Grogoberto, homem de poucas palavras e que normalmente se expressa por monossílabos ou por palavras com poucas sílabas, não concorda com a vinda abrupta e diária de Bracoberto tendo já feito queixa às autoridades locais que o informaram nada poderem fazer visto se tratar de um problema familiar. Com isto, Aloberto e Estegoberto são diariamente acordados pelo colérico agredir da porta que, aos poucos, começa a ceder através das suas dobradiças.
Foi assaltado Bracoberto uma vez por uma ideia que lhe pareceu a melhor de todas e que iria solucionar o problema de não ser atendido de imediato logo que solta a primeira batidela para a porta de Braquiberta. Em vez de agredir a porta com a força do seu punho fechado que, por si só não estava a ser suficiente para o objectivo fixado, apanhou do chão uma pedra com algum peso e, com ambas as mãos tornou-a um prolongamento do seu corpo. E essa foi uma excelente ideia a de Bracoberto porque lhe foi possível, por um lado, importunar ainda mais a família de Braquiberta e, por outro, permitiu-lhe abrir uma lacuna na porta, permitindo-lhe não só espreitar para o interior da casa como também abri-la através da inserção do seu braço na falha aberta na mesma. Nesse dia Aloberto e Estegoberto acorreram de imediato numa vã tentativa de livrar através da expulsão a mão e o braço de Bracoberto da fechadura, mas este, tendo a força física como meio de salvação afastou, num gesto, os filhos de Braquiberta, conseguindo, assim, entrar na casa. Nesse mesmo dia, a porta foi substituída por outra blindada à prova de pedras e outras ameaças, facto que deixou Bracoberto descontente por ver a sua ideia quebrada, restando-lhe, a partir desse dia, voltar ao uso das suas mãos. Apesar disso, experimentou diversos instrumentos como pedras, paus, vigas de ferro, machados ou martelos, apenas para nomear alguns, mas de nada lhe valeram pois a porta blindada não permitiu qualquer mossa na sua superfície, o que quer dizer que desse dia em diante, Bracoberto só entrará se alguém houver da família de Braquiberta que lhe dê autorização para tal, servindo-se, para isso, do movimento de abertura da porta, pondo em contacto o espaço exterior da casa com o espaço interior da mesma e criando um ponto de passagem para Bracoberto. Mas tão grande é a sua insistência que este indivíduo surge diariamente no interior do lar de Braquiberta para desagrado desta última e também de Aloberto e de Estegoberto. Quanto a Grogoborto tem por hábito murmurar algumas palavras imperceptíveis de insatisfação mas devido à sua constante falta de acção limita-se a esse murmúrio irado e retira-se de cena, deixando a resolução da situação a cargo dos restantes elementos. Destes, Aloberto e Estegoberto excluem-se de casa rumando ao local de ensino, enquanto Braquiberta também sai por ser detentora de uma posição profissional no exterior do seu local de habitação. Tendo a casa por sua conta, Bracoberto chama Hadroberto e Acrocanteberta para, com ele, partilharem o lar devido à ausência da família de Braquiberta. Igualmente pelo mesmo motivo de ausência, as autoridades locais apressam-se a ocupar a dita habitação, seguidos por todos os moradores da cidade que se acotovelam e comprimem uns contra os outros tendo em vista a obtenção de um espaço no interior da casa de Braquiberta. E durante todo a manhã permanecem imóveis em pé e apertados uns contra os outros e tão estáticos quanto possível. Tornam-se tão comprimidos entre si que ficam impossibilitados de fazer o mais pequeno dos movimentos e mal conseguindo respirar. Todas aquelas pessoas formam uma massa compacta de um único ser indefinível.
Aquele novo ser que, ao início se mostra desconjuntado, vai tomando a sua forma à medida que entram mais e mais e cada vez mais pessoas que se vão comprimindo o mais possível umas contra as outras, apertando-se cada vez mais, não deixando o mais pequeno dos espaços vagos entre cada uma, indo estas entalando-se umas contras as outras e as outras contra as umas que vão entrando pela porta deixada aberta por Bracoberto para que seja permitido o acumular de pessoas que agora vai enchendo cada vez de forma mais completa e compacta a casa de Braquiberta. De todos os lados da cidade surgem pessoas que se dirigem da forma mais directa possível para a casa de Braquiberta. Desconhece-se o número total de pessoas que enche na totalidade aquela casa e que define o ser compacto agora formado pelo conjunto de todos os presentes na casa de Braquiberta. Cada uma das pessoas deixa de ser individual e passa a ser um elemento integrante do ser estando cada uma como que interligada às pessoas que a ladeiam. Quando o ser está completo, inicia o seu movimento saindo pela porta por onde entraram as pessoas e vagueia livremente pela cidade. Esse ser não tem uma forma definida adaptando-se ao local em que se encontra, tornando-se curvante quando necessário ou rectilíneo quando a isso se pede. Durante todo o dia ele move-se errantemente e sem destino pelas ruas da cidade. Com o aproximar da hora em que Braquiberta termina o seu emprego, o ser regressa à casa que o viu juntar e lá a pessoa colectiva torna-se novamente em pessoa individual regressando cada um à casa que o viu sair.
Bracoberto, Hadroberto e Acrocanteberta regressam ao espaço em que habitam e Braquiberta, Groberto, Aloberto e Estegoberto regressam a casa.
Logo pela manhã o mais cedo possível, Bracoberto bate furiosamente à porta de casa de Braquiberta pedindo para o deixar entrar. Todo ele se transforma em pancadas na porta de madeira estremecendo tudo quanto é para estremecer e todas as manhãs Braquiberta grita lá de dentro Hoje não! mas de nada vale esse Hoje não! porque Bracoberto é de ideias fixas e se ninguém houver que lhe abra a porta deixando-o entrar naquele que não é o seu lar, nada lhe custa aguardar o dia inteiro e até a noite para que o deixem penetrar mantendo sempre as pancadas fortes na madeira da porta e isto até já aconteceu um dia que o deixaram plantado do lado de fora e durante todo o dia foi uma constante bordoada naquela que não é a sua porta com um barulho que se tornou insuportável. E de nada adianta Hadroberto e Acrocanteberta evitarem que o seu irmão agrida violentamente a porta de Braquiberta pois nada o demove da sua missão diária. Todas as manhãs ele assume-se como o batedor oficial da porta de Braquiberta enquanto Grogoberto, homem de poucas palavras e que normalmente se expressa por monossílabos ou por palavras com poucas sílabas, não concorda com a vinda abrupta e diária de Bracoberto tendo já feito queixa às autoridades locais que o informaram nada poderem fazer visto se tratar de um problema familiar. Com isto, Aloberto e Estegoberto são diariamente acordados pelo colérico agredir da porta que, aos poucos, começa a ceder através das suas dobradiças.
Foi assaltado Bracoberto uma vez por uma ideia que lhe pareceu a melhor de todas e que iria solucionar o problema de não ser atendido de imediato logo que solta a primeira batidela para a porta de Braquiberta. Em vez de agredir a porta com a força do seu punho fechado que, por si só não estava a ser suficiente para o objectivo fixado, apanhou do chão uma pedra com algum peso e, com ambas as mãos tornou-a um prolongamento do seu corpo. E essa foi uma excelente ideia a de Bracoberto porque lhe foi possível, por um lado, importunar ainda mais a família de Braquiberta e, por outro, permitiu-lhe abrir uma lacuna na porta, permitindo-lhe não só espreitar para o interior da casa como também abri-la através da inserção do seu braço na falha aberta na mesma. Nesse dia Aloberto e Estegoberto acorreram de imediato numa vã tentativa de livrar através da expulsão a mão e o braço de Bracoberto da fechadura, mas este, tendo a força física como meio de salvação afastou, num gesto, os filhos de Braquiberta, conseguindo, assim, entrar na casa. Nesse mesmo dia, a porta foi substituída por outra blindada à prova de pedras e outras ameaças, facto que deixou Bracoberto descontente por ver a sua ideia quebrada, restando-lhe, a partir desse dia, voltar ao uso das suas mãos. Apesar disso, experimentou diversos instrumentos como pedras, paus, vigas de ferro, machados ou martelos, apenas para nomear alguns, mas de nada lhe valeram pois a porta blindada não permitiu qualquer mossa na sua superfície, o que quer dizer que desse dia em diante, Bracoberto só entrará se alguém houver da família de Braquiberta que lhe dê autorização para tal, servindo-se, para isso, do movimento de abertura da porta, pondo em contacto o espaço exterior da casa com o espaço interior da mesma e criando um ponto de passagem para Bracoberto. Mas tão grande é a sua insistência que este indivíduo surge diariamente no interior do lar de Braquiberta para desagrado desta última e também de Aloberto e de Estegoberto. Quanto a Grogoborto tem por hábito murmurar algumas palavras imperceptíveis de insatisfação mas devido à sua constante falta de acção limita-se a esse murmúrio irado e retira-se de cena, deixando a resolução da situação a cargo dos restantes elementos. Destes, Aloberto e Estegoberto excluem-se de casa rumando ao local de ensino, enquanto Braquiberta também sai por ser detentora de uma posição profissional no exterior do seu local de habitação. Tendo a casa por sua conta, Bracoberto chama Hadroberto e Acrocanteberta para, com ele, partilharem o lar devido à ausência da família de Braquiberta. Igualmente pelo mesmo motivo de ausência, as autoridades locais apressam-se a ocupar a dita habitação, seguidos por todos os moradores da cidade que se acotovelam e comprimem uns contra os outros tendo em vista a obtenção de um espaço no interior da casa de Braquiberta. E durante todo a manhã permanecem imóveis em pé e apertados uns contra os outros e tão estáticos quanto possível. Tornam-se tão comprimidos entre si que ficam impossibilitados de fazer o mais pequeno dos movimentos e mal conseguindo respirar. Todas aquelas pessoas formam uma massa compacta de um único ser indefinível.
Aquele novo ser que, ao início se mostra desconjuntado, vai tomando a sua forma à medida que entram mais e mais e cada vez mais pessoas que se vão comprimindo o mais possível umas contra as outras, apertando-se cada vez mais, não deixando o mais pequeno dos espaços vagos entre cada uma, indo estas entalando-se umas contras as outras e as outras contra as umas que vão entrando pela porta deixada aberta por Bracoberto para que seja permitido o acumular de pessoas que agora vai enchendo cada vez de forma mais completa e compacta a casa de Braquiberta. De todos os lados da cidade surgem pessoas que se dirigem da forma mais directa possível para a casa de Braquiberta. Desconhece-se o número total de pessoas que enche na totalidade aquela casa e que define o ser compacto agora formado pelo conjunto de todos os presentes na casa de Braquiberta. Cada uma das pessoas deixa de ser individual e passa a ser um elemento integrante do ser estando cada uma como que interligada às pessoas que a ladeiam. Quando o ser está completo, inicia o seu movimento saindo pela porta por onde entraram as pessoas e vagueia livremente pela cidade. Esse ser não tem uma forma definida adaptando-se ao local em que se encontra, tornando-se curvante quando necessário ou rectilíneo quando a isso se pede. Durante todo o dia ele move-se errantemente e sem destino pelas ruas da cidade. Com o aproximar da hora em que Braquiberta termina o seu emprego, o ser regressa à casa que o viu juntar e lá a pessoa colectiva torna-se novamente em pessoa individual regressando cada um à casa que o viu sair.
Bracoberto, Hadroberto e Acrocanteberta regressam ao espaço em que habitam e Braquiberta, Groberto, Aloberto e Estegoberto regressam a casa.
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