Gervásio gosta de cheirar cebola. Dispõe ele em sua casa de um armário exclusivamente usado para dar guarida às excelsas quantidades de cebola que são propriedade sua. No interior desse móvel da altura de uma porta e da largura das que couberem numa parede, amontoam-se em situação cuidada as cebolas quase prontas a serem cheiradas. Quase prontas e não simplesmente prontas porque o quase indica estar-se diante da necessidade de se ultrapassar um determinado estágio para que sejam encontradas no ponto descrito por prontidão. Objectivando transpor a fasquia que divide o pré-pronta do pronta, Gervásio possui um sempre afiado instrumento de corte que o vulgo das pessoas denomina de faca de cozinha, posicionado num local especial à mão de semear num compartimento do armário em questão. Vamos então acompanhar uns momentos da vida de Gervásio.
Antes de se fazer alimentar do pequeno-almoço e pouco depois de se libertar do sono nocturno, Gervásio lança uma mão de uma cebola e com a outra apodera-se da faca posicionada de maneira a que o investimento de tempo usado para fazer o gesto de aproximar o membro superior do instrumento laminal seja o mais diligente de modo a que seja satisfeita a ânsia de que Gervásio padece em sentir o aromático aroma da cebola. Assim, da cebola corta-lhe metade que é imediatamente penetrada pela totalidade do nariz de Gervásio e através de uma profundíssima e longa inspiração faz evoluir o maná que se esconde no interior da cebola em direcção às suas fossas nasais que, posteriormente, se direccionam ao cérebro. Com a inspiração Gervásio toca um estado de êxtase após o qual novas e repetidas inspirações são executadas até ser extraída a totalidade odorífica que persistia no interior da cebola, cuja metade, agora despida de cheiro, é deliberadamente lançada para o lixo. A segunda metade, já pronta a ser cheirada, é guardada num dos bolsos que a sua roupa contém para que, logo que lhe sinta a necessidade, ser sentida através do cheirar. Apesar de já se fazer transportador de meia cebola, o armazenamento de cebola só se finda por completo quando mais umas duas ou três cebolas sejam bem-vindas na lancheira que serve também para albergar o almoço que Gervásio degustará quando a isso o permita a hora do seu emprego, isto porque uma cebola não lhe é suficiente para as suas solicitudes diárias.
E assim, de meia em meia cebola, se vai desenrolando o dia de Gervásio.
Antes de se fazer alimentar do pequeno-almoço e pouco depois de se libertar do sono nocturno, Gervásio lança uma mão de uma cebola e com a outra apodera-se da faca posicionada de maneira a que o investimento de tempo usado para fazer o gesto de aproximar o membro superior do instrumento laminal seja o mais diligente de modo a que seja satisfeita a ânsia de que Gervásio padece em sentir o aromático aroma da cebola. Assim, da cebola corta-lhe metade que é imediatamente penetrada pela totalidade do nariz de Gervásio e através de uma profundíssima e longa inspiração faz evoluir o maná que se esconde no interior da cebola em direcção às suas fossas nasais que, posteriormente, se direccionam ao cérebro. Com a inspiração Gervásio toca um estado de êxtase após o qual novas e repetidas inspirações são executadas até ser extraída a totalidade odorífica que persistia no interior da cebola, cuja metade, agora despida de cheiro, é deliberadamente lançada para o lixo. A segunda metade, já pronta a ser cheirada, é guardada num dos bolsos que a sua roupa contém para que, logo que lhe sinta a necessidade, ser sentida através do cheirar. Apesar de já se fazer transportador de meia cebola, o armazenamento de cebola só se finda por completo quando mais umas duas ou três cebolas sejam bem-vindas na lancheira que serve também para albergar o almoço que Gervásio degustará quando a isso o permita a hora do seu emprego, isto porque uma cebola não lhe é suficiente para as suas solicitudes diárias.
E assim, de meia em meia cebola, se vai desenrolando o dia de Gervásio.
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